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[Estratégia de empresas nacionais e internacionais]

 

Estratégia: Empresas nacionais e internacionais investem bilhões para adquirir minas em território mineiro

 

 

Minério de ferro é vendido a peso de ouro no Estado. E mais, chineses estão perto de negociar mais uma jazida na Serra Azul.

O aquecimento da demanda mundial pelo minério de ferro, alimentado principalmente pela China, tem movimentado um mercado que parecia estar, até então, quase extinto: o da compra de reservas minerais. Nos últimos anos, foram várias as aquisições no Estado, gerando negociações bilionárias. A última delas foi a compra da mina da Itaminas, localizada em Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte, por US$ 1,2 bilhão pelo consórcio chinês ECE - Birô de Exploração e Desenvolvimento Mineral do Leste da China.

Há cerca de dois anos, a Usiminas adquiriu a J. Mendes, na Serra Azul, entre Itatiaiuçu e Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, por cerca de US$ 2 bilhões.

E os grandes negócios não devem acabar por aí, pois a própria Usiminas e a CSN vêm sinalizando a intenção de adquirir novas unidades minerais. Também há rumores de que outro grupo chinês pretende comprar uma mina nas proximidades da Serra Azul. Mas será que está valendo a pena?

De acordo com Cyro Cunha Melo, ex-presidente da Samitri Mineração e especialista do setor mineral, o mercado está supervalorizado. Segundo ele, hoje o preço de uma mina está bem mais alto do que no passado. Ele cita como exemplo a venda da Samitri, em 2000, para a Vale por "apenas" R$ 536 milhões, um minério de boa qualidade e 17 bilhões de reservas. "Agora, a Itaminas foi vendida por US$ 1,2 bilhão, com uma reserva de 1,3 bilhão de toneladas. Os belgas que venderam a Samitri não devem acreditar nisso", observa.
Segundo ele, o preço atual do minério está quase seis vezes maior se comparado com o valor dez anos atrás e o mercado anda aquecido. "Em 2000, a tonelada era vendida por US$ 20 e agora está US$ 110. Já o consumo passou de 440 milhões por ano para 1,1 bilhão", exemplifica. Gomes salienta que o que também tem impulsionado o mercado da compra de mina, sem dúvida, são as aquisições por parte das siderúrgicas, que, segundo ele, pretendem ter mais autonomia diante das mineradoras. "Cerca de 70% da comercialização mundial do minério está nas mãos de três mineradoras. É quase um monopólio", disse.


Mas Melo acredita que é preciso que as siderúrgicas tenham cautela em adquirir minas, pois, no Brasil, elas podem continuar a depender da Vale, mas de outra forma. "A Vale é responsável pelo transporte ferroviário e os principais portos do Brasil. Por isso, mesmo com sua mina, o grupo pode continuar refém da mineradora", explica Melo, que acredita não valer a pena para o grupo chinês que comprou a Itaminas, por exemplo, construir uma ferrovia própria para fazer o transporte.

Saiba mais sobre minério de ferro
Produção
Brasil: 370 milhões/ton
Mundo: 2,2 bilhões/ton
O Brasil tem 17%da produção mundial

Reservas atuais do Brasil
Medida: 22,5 bilhões/ton
Indicada: 10,2 bilhões/ton

Destino das exportações brasileiras de primários de ferro:
China: 31%
Japão: 11%
Alemanha: 8,5%
Itália: 4,89%
França: 4,08%
Coreia: 4%
Argentina: 3%


Além do negócio da Itaminas, o Estado nos últimos anos consolidou grandes aquisições no setor mineral. No ano de 2008, a Usiminas adquiriu a mina do grupo J. Mendes, no Quadrilátero Ferrífero por cerca de US$ 2 bilhões. No mesmo ano, a Arcelor Mittal comprou do grupo London Mining por U$S 800 milhões uma mina em Itatiaiuçu. Dentre outros exemplos na última década estão as compras da Samitri, Samarco, ambas pela Vale, e Morro Velho, pela Anglo Gold.

“Penso que, a partir de 2000, quando houve o boom da mineração, os negócios para a compra de minas voltaram a aparecer e estão ocorrendo até os dias de hoje”, observa o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Camillo. Segundo ele, a todo momento há consulta de compra de minas de grupos estrangeiros e nacionais, mas que não são divulgadas para não atrapalhar as negociações.

Conforme Camillo, quem há cinco anos adquiriu uma mina, em valores que naquela época eram considerados impagáveis, hoje já obteve retorno. “Mesmo com a crise, quando houve uma queda de cerca de 30% na demanda, o segmento recuperou-se e, em um ano, cresceu cerca de 80%”, afirma.

Ele salienta que se trata de um setor que requer know-how para se ter o retorno. “Não que eu não acredite que as siderúrgicas não tenham competência para entrar no negócio. Só estou reforçando que é preciso conhecimento para atuar na área”, disse.

Estamos revirando a Terra para darmos conta do crescimento mundial, o ponto de equilíbrio entre a falta e a demanda ainda chegarão, até lá, os preços vão continuar na mesma gangorra de sempre, mas sempre para com a seta para cima. Enquanto isso, os chineses estão seguindo à risca a melhor estratégia, ter os recursos primários.


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